quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Afinal, sempre somos recompensados pela nossa boa vontade, nossa paciência equidade, ternura para com que é estranho, na medida em que a estranheza tira lentamente o véu e se apresenta como uma nova e indizível beleza: - é a sua gratidão por nossa hospitalidade. Também quem ama a si mesmo aprendeu-o por esse caminho: não há outro caminho. Também o amor há que ser aprendido."



Depois de alguns meses, me foi comprovado que, realmente, a paciência é a melhor escolha. Tentar seguir, sem expectativas - se é que isso é possível -, é o que o coração precisa! Planos são sim necessários: eles nos estimulam e nos guiam. Mas algumas vezes o melhor plano é não fazer planos.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

"Assim como o caos tumultuado de uma tempestade traz uma chuva nutritiva que permite à vida florir, assim também nas coisas humanas tempos de progresso são precedidos por tempos de desordem. O sucesso vem para aqueles que conseguem sobreviver à crise."

:)

sábado, 17 de março de 2012

"I set fire to the rain
And I threw us into the flames
Well, it felt something died
Cause I knew that that was the last time, the last time!

Sometimes I wake up by the door
That heart you caught must be waiting for you…
Even now when we're already over
I can't help myself from looking for you."

(Adele)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Me deixe sim, mas só se for pra ir ali e pra voltar
Me deixe sim, meu grão de amor, mas nunca deixe de me amar.

Agora as noites são tão longas
No escuro eu penso em te encontrar
Me deixe só até a hora de voltar.

Me esqueça sim pra não sofrer, pra não chorar, pra não sentir
Me esqueça, sim, que eu quero ver cocê tentar,sem conseguir.

A cama agora está tão fria
Ainda sinto o seu calor
Me esqueça sim, mas nunca esqueça o meu amor.

É só você que vem no meu cantar, meu bem...

(Marisa Monte)

A música que define minha semana...

domingo, 4 de março de 2012

Tudo muda. Alguém duvida?

Lembra daquele sonho em que eu acordei chorando e nunca quis te contar o que aconteceu exatamente? Ele está acontecendo. Em escala menor, maior... Não sei, não consigo mensurar, mas está aqui, do meu lado. E pior é que eu não posso te abraçar, te ligar, te contar... Eu tenho que entender que ele veio, me alertou e eu não me preparei. Sempre tão segura em relação ao nosso relacionamento, achei que tudo o que está acontecendo, nunca aconteceria. E agora eu tenho que lidar com a situação.

Não quero te julgar, não quero sentir mágoa, não quero guardar rancor. Eu já quis tudo isso o que você está querendo, mas nunca tive essa coragem. Já parei, pensei e desisti. Acho que se você não estivesse fazendo o que está fazendo não seria você e aí não seria a pessoa que eu admiro.

Sonho com o futuro. Não um futuro no qual a gente esteja junto. Acho improvável. Mas um futuro no qual eu lembre com carinho e amor de toda nossa história. Lembre sem dor. Só com aquela saudade que quem amou sente. Quero um futuro no qual eu pare de me culpar tanto e entenda que você é tão culpado quanto eu. Entenda que a gente viveu TUDO o que tinha pra viver - até muito mais do que eu esperava - e que a vida é mesmo assim... Passageira. As pessoas são passageiras. Quero aprender a me amar, quero aprender a ficar sozinha, quero encontrar meu equilíbrio pra quando alguém sair da minha vida de novo eu não sinta que um pedaço foi retirado de mim, mas sim acrescentado. Quero te olhar com ternura, com aqueles olhos de quem sente orgulho do que viveu. Quero ficar feliz com seu sucesso. Quero me encantar com outras pessoas, me apaixonar, ter novos problemas, novas brigas, errar novos erros... Quero melhorar. Aprender com cada errinho desse namoro e fazer melhor no próximo. Quero me conquistar e conquistar os outros todos os dias.

Hoje sou reapresentada a tudo o que acreditei há alguns anos. Havia esquecido. "Não podemos nunca entrar no mesmo rio, pois assim como as águas, nós já somos outros". A gente esquece que certezas não existem e que a mudança é a única constante dessa vida. A gente se apega às pessoas, às coisas... E sofre. E perde a beleza. E esquece que é isso aí. Nada permanece igual. E que bom que é assim!

"Quando dizemos coisas como "as pessoas não mudam", deixamos os cientistas loucos. Porque a mudança é literalmente a única constante da ciência. Energia, matéria, estão sempre mudando. Transformando-se, fundindo-se, crescendo, morrendo... O modo como as pessoas tentam não mudar é que não é natural. Como queremos que as coisas voltem, em vez de as aceitarmos. Como nos prendemos a velhas memórias ao invés de criarmos novas. O modo como insistimos em acreditar, apesar de todas as provas contrárias, de que algo nessa vida é permanente. A mudança é constante. Como experimentamos a mudança... depende de nós. Pode parecer a morte, ou uma segunda chance. Se relaxarmos os dedos, nos desapegar, irmos em frente, pode ser adrenalina pura. Como se a qualquer momento tivéssemos outra chance de viver. Como se a qualquer momento pudéssemos nascer de novo."


"O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não são sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando - afinam ou desafinam, - verdade maior é o que a vida me ensinou. É o mais bonito da vida."
Guimarães Rosa

sexta-feira, 2 de março de 2012

"Eu quis te convencer, mas chega de insistir, caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má, caminho em frente pra sentir saudade..."

Quando a gente sabe o que há de vir não virá, a gente reza, torce, pede pra que o dia que vamos só sentir saudade chegue logo.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sobre Alice no País das Maravilhas...

"Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: “Alice no País das Maravilhas”.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
(...) Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?". Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!". O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: "Oh, I beg your pardon!". Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto-de-vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: "Gostarias de gatos se fosses eu?".
(...) Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: "Devo estar diminuindo de novo". Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
(...) Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: "Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas...".
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida. É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça."

Anos atrás descobri esse texto num blog. Anos se passaram e eu continuo descobrindo sentidos novos para ele. Adorei :)